Quando o calendário toca em suas feridas

Existem datas que parecem passar despercebidas para algumas pessoas. Para outras, elas apertam exatamente onde ainda existe uma ferida. 12 de junho, por exemplo, é o dia dos namorados e pode trazer à tona a solidão (mesmo para quem está comprometido). O Natal pode lembrar ausências ou ativar gatilhos de épocas de brigas e outras coisas. O aniversário pode despertar a sensação de que a vida deveria estar diferente. Já o final e o começo do ano costumam reacender cobranças, comparações e promessas não cumpridas.

É claro, você deve saber que quando isso acontece, a dor raramente está na data em si. Ela apenas está revelando expectativas e histórias que carregamos sobre quem achamos que deveríamos ser e sobre onde acreditamos que deveríamos estar.

Em um mundo que valoriza a produtividade e o sucesso, é fácil cair também na armadilha de achar que nunca estamos fazendo o suficiente. Essa autoexigência excessiva pode nos afastar das coisas que realmente importam e nos impedem de viver uma vida alinhada com nosso “eu” verdadeiro.

Pensar sobre isso pode nos levar a perceber quantas vezes deixamos de aproveitar momentos simples e preciosos por estarmos preocupados com expectativas irreais. Quantas vezes sacrificamos nossa paz mental em nome de um ideal de perfeição que nunca parece ser alcançado?

Mas o que exatamente dói nessas datas: o calendário em si ou o que você prometeu a si mesmo e não está vivendo ainda? E em janeiro, por exemplo, será que o incômodo vem mesmo das promessas que você fez no fim do ano (e que já percebeu que não será tão simples assim de cumprir) ou vem da falsa ilusão de que basta pensar positivo para que tudo se ajeite?

No dia dos namorados, a dor pode surgir da comparação com relacionamentos que você vê ao seu redor (ou online), da sensação de estar sozinho (mesmo quando acompanhado) ou da crença de que só será plenamente feliz quando encontrar alguém.

No aniversário, pode aparecer a impressão de que o tempo está passando rápido demais, de que você deveria ter conquistado mais, vivido mais ou resolvido questões que continuam presentes. Assim como no dia das mães ou dos pais, algumas pessoas entram em contato com conflitos familiares antigos, faltas, lutos ou relações que nunca foram como elas gostariam.

São gatilhos emocionais que se despertam nessas e em outras datas comemorativas. Tudo isso por manter ainda histórias que você acredita sobre si mesmo.

É, eu imagino que ler isso aqui não foi muito confortável, mas isso é porque provavelmente algo fez sentido para você. E você talvez já saiba que repetir frases positivas ou buscar sentir gratidão não é o suficiente para mudar padrões que você mantém há anos. Então, o que incomoda nessas datas é que elas escancaram o quanto você ainda espera que a vida mude sem precisar mudar junto.

O fato é:

Você pode virar a página do calendário, mas as crenças que guiam sua vida não mudam sozinhas.

Você se imagina vivendo uma vida realmente alinhada com quem você é? O que exatamente precisaria mudar em você (crenças, padrões ou ciclos que você revive) para que isso começasse a acontecer de verdade?

É provável que você já saiba que não adianta desejar uma vida nova se você continua preso às mesmas crenças que te prendem no mesmo lugar. A prova disso é que quando passam os meses, você se percebe repetindo padrões e os velhos medos decidem por você, mesmo quando você jura que está pronto para algo novo.

Sabe, muito se fala sobre alta performance e vidas extraordinárias e quando nos comparamos com quem só vemos o conteúdo que está no palco, esquecemos que nos bastidores as pessoas que admiramos também tem suas dores, cansaços e fraquezas. O dia só tem 24h para todo mundo! Reconhecer isso é permitir-se descansar sem culpa, é entender que você não precisa ser perfeito para ter valor, nem precisa estar sempre produzindo para ser suficiente.

➪ Quando foi a última vez que você se permitiu realmente relaxar e aproveitar o momento sem se preocupar com o que deveria estar fazendo? E sem se comparar com outra pessoa?

➪ Você se permite relaxar? Qual sua crença sobre quem relaxa: você julga negativamente ou admira? Essa resposta vai determinar se você se permite relaxar ou se descansar é algo “proibido” para você.

Costumamos ser nossos críticos mais severos. Julgamos nossas falhas e erros com tanta dureza que esquecemos de reconhecer nossos esforços e progressos. Mas a verdade é que ser gentil consigo mesmo é fundamental para uma vida mais equilibrada. Como seria sua vida se você começasse a se tratar com a mesma gentileza e compreensão que oferece aos outros?

Principalmente nessas épocas, que talvez venha com expectativas externas e comparações inevitáveis, a gentileza consigo mesmo se torna ainda mais necessária. É reconhecer que você fez o que pôde e que não precisa se medir pelos padrões dos outros nem se culpar por não cumprir tudo o que achou que poderia. Ainda mais se, por exemplo, suas promessas do final/começo de ano foram super otimistas ou motivadas para poder “provar” para alguém que você tem valor.

O que realmente define o seu valor: o que você faz para os outros verem ou a forma como você se trata e se permite ser?

Bem, não podemos esquecer que plantar é necessário, pois sem isso colheremos pouco ou nada. Sonhos, relacionamentos, projetos e mudanças exigem alguma ação da nossa parte. Ao mesmo tempo, viver apenas para produzir acaba nos afastando da própria vida que estamos tentando construir. Existe um equilíbrio entre semear o que desejamos para o futuro e aproveitar o presente sem culpa.

Você não precisa abandonar suas ambições ou deixar de fazer planos para o próximo ano, mas sim encontrar um equilíbrio saudável entre suas metas e seu bem-estar emocional.

A pior coisa que você pode fazer consigo mesmo é criar uma meta de algo que nem deseja de verdade realizar, apenas para provar que consegue.

Provar para quem, afinal? Para alguém que não vive sua vida, desconhece seus cansaços, medos e limites? É como ir a uma loja, ser mal atendido, e comprar algo caríssimo só para mostrar que tem condições, enquanto quem te maltratou ainda receberá comissão da sua compra!

Percebe que, muitas vezes, gastamos energia tentando satisfazer expectativas externas que não fazem sentido para nós, enquanto deixamos de olhar para o que realmente importa? Quantas vezes você já fez algo assim?

Reconhecer isso pode ser difícil, mas quanto mais você evita a verdade, mais tende a repetir o mesmo padrão e a gastar energia tentando provar algo que não precisa provar nada para ninguém. (Sim, tem uma música do Legião Urbana que diz exatamente isso!)

Clarear esses padrões é o primeiro passo para quebrar ciclos e para finalmente reconhecer que seu valor não depende de “aplausos”.

Falando nisso, quando foi a última vez que você se aplaudiu? E a última vez que você realmente se reconheceu pelo que fez, sem se comparar ou se cobrar?

Agora, para realmente identificar quais pensamentos e crenças estão te fazendo se cobrar demais nessas épocas, responda com sinceridade às perguntas abaixo:

➪ O que você sente quando olha para tudo que não conseguiu fazer este ano? E como foi para você nos outros anos?

➪ Quais expectativas você se cobra que não são suas, mas de outras pessoas, como parentes ou sociedade? Quais padrões familiares você sente que precisa seguir para ser “aceito” ou “valorizado”?

➪ Quando foi a última vez que você se sentiu culpado ou inadequado por não atender às expectativas de alguém próximo? O que exatamente essa pessoa esperava de você e o que foi realmente feito (ou não feito)?

Eu acredito que você já clareou que não é sobre calendário que estamos conversando aqui hoje. São gatilhos emocionais que despertam em datas comemorativas porque essas datas funcionam como marcadores para você e muitas outras pessoas. Isso porque elas nos fazem olhar para áreas da vida que muitas vezes conseguimos evitar durante o restante do ano. E, quando olhamos, encontramos expectativas, comparações, frustrações, saudades e crenças que já estavam ali muito antes da data chegar.

A próxima data comemorativa não precisa ser mais um período de cobrança e comparação. Pode ser um período que você aprende a se aplaudir, a se reconhecer, a se priorizar de verdade. E tudo começa quando você se permite enxergar o seu valor que já existe.

É sobre clarear as crenças que você tem, que podem dizer que não merece mais do que já tem, que você não é bom o suficiente, que sempre vai perder o que conquista. Crenças que te fazem esperar pelo fracasso antes mesmo de tentar, que te fazem sabotar cada passo em direção aos seus sonhos e repetir padrões que te mantem exatamente onde está, apesar de toda a vontade racional de mudar.

Clarear essas crenças te fará parar de entregar poder àquilo que te limita e começar a construir uma vida alinhada com quem você realmente é (e o que merece mesmo ter). Saber como e o quê plantar vai te fazer economizar anos de frustração.

Essa Sessão que você acabou de fazer já começou a clarear padrões que te limitam, mas se você quiser transformar esses insights em mudanças reais e começar a plantar de forma consciente, venha aprofundar ainda mais na Sessão de Planejamento Consciente comigo. É só clicar no PLAY abaixo!

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