Você já teve que fazer uma decisão, mas ficou adiando por dias (talvez anos), e mesmo assim se viu não saindo do lugar?
Quando uma decisão mexe com algo que está mais fundo, ela deixa de ser só uma escolha. Veja como se essa decisão “encostasse” em acordos antigos, em ideias que foram sendo construídas ao longo da vida e que hoje funcionam quase como regras ou, como eu gosto de chamar: leis internas.
Essa lei interna, criada através de julgamentos antigos que fizemos como “nunca vou ser como fulana” ou “toda vez que alguém trai, deve pagar por isso de tal forma” é feita para colocar limites na sua própria vida, como uma forma de frustração de não conseguir controlar a vida/ação dos outros. É claro, tudo começa com um desejo profundo de controlar a vida de quem fez algo errado (que julgamos errado no momento). Então, criamos uma punição para “toda vez que A acontece (algo que te causou dor), deve acontecer B (punição para quem causou a dor)”.
Quando criamos essas leis internas, esquecemos que elas não funcionam para os outros, e é por isso que ficamos esperando as “punições” de quem descumpre a lei.
Mas, repare que o nome é lei “interna” e não “externa”. Sendo assim, quem você acredita que é o único afetado por essa lei?
É assim, resumidamente, que costumo explicar como criamos uma lei interna nos meus atendimentos.
Isso acaba por drenar sua própria energia, mantendo você preso em um ciclo de preocupação e alerta ativo o tempo inteiro. É como se você vivesse em um estado de constante vigilância, sempre em alerta para nunca ser como as pessoas que você julgou (e desejou as punições).
Essas leis internas são como regras que você impôs a si mesmo para interpretar e julgar as situações ao seu redor. Elas são construções da sua mente e não necessariamente refletem a realidade.
Essas leis não dizem “faça isso” ou “não faça aquilo” de forma direta, como você pode estar pensando. Elas operam como um limite interno que faz a pessoa travar antes mesmo de entender o porquê, porque geralmente nem lembramos quando as criamos!
Pense agora em alguma decisão que você vem adiando. Há quanto tempo ela está presente na sua vida? O que exatamente mudaria se você realmente seguisse por esse caminho? Anote essas respostas antes de dar seguimento.
É comum alguém dizer que quer mudar de trabalho, terminar uma relação, se posicionar de outra forma, começar algo novo. Mas, ao se aproximar dessa decisão, começa um desconforto difícil de explicar, como um peso que não combina com a lógica da escolha. E então a decisão é adiada e adiada…
Por exemplo, uma pessoa pode ter a crença de “eu nunca vou aceitar traição”. Talvez tenha visto a mãe ser traída ou alguém disse que traição era algo inaceitável, então para tentar “punir” quem traiu, criou essa lei interna: “quem trai deve ____ (punição). Só que, ao longo do tempo, essa lei começa a se expandir para outras áreas. No trabalho, ela evita enviar currículo enquanto está trabalhando por medo de ser traição, ou até envia, mas vai mal na entrevista pra não “trair” a empresa atual.
No trabalho, ela evita buscar novas oportunidades enquanto ainda está empregada, como se isso fosse uma forma de deslealdade, porque traição é traição!
Ou seja, uma decisão profissional simples passa a carregar o mesmo peso emocional de uma traição, porque dentro dessa lei é a mesma coisa. A origem está em uma área, mas o efeito atravessa várias outras, compreende? Da mesma forma, alguém que cresceu ouvindo que dinheiro muda as pessoas, por exemplo, pode travar diante de decisões que envolvem crescer financeiramente. Imagine isso também para a área da saúde: se julgamos alguém que é saudável, não poderemos ser saudáveis, porque não queremos ser igual aquela pessoa e nem receber a “punição” da nossa própria lei.
Existe algo ali que ainda está sendo protegido: a sua lei interna. Quem fez algo parecido com o resultado da decisão que você precisa fazer, mas que você julgou no passado e criou essa lei? Qual foi a lei criada? (isso é o que te impede hoje de tomar essa decisão)
Quem, direta ou indiretamente, seria afetado por essa escolha?
Existe alguém que você teme decepcionar? E como você seria se descumprisse essa lei tão antiga? Qual seria sua punição?
No passado, essa forma de punição garantiu que você nunca fosse igual alguém que foi muito julgado. Talvez tenha sido uma forma de se sentir aceito, de evitar conflito, de garantir pertencimento, de não decepcionar alguém importante. Em algum momento, seguir essa lei ajudou a manter equilíbrio em um contexto específico. O problema é que ela continua ativa mesmo quando o contexto já mudou.
Em que momento da sua vida você pode ter aprendido que precisava agir de determinada forma para ser aceito ou para evitar problemas?
Que tipo de comportamento era valorizado ao seu redor e o que aconteceria se você saísse desse padrão?
Há também quem associe mudança com perda, e então prefere permanecer em situações que já não fazem sentido, só para evitar o risco de sentir aquela sensação novamente (que pode ser até mesmo um trauma antigo). Essas regras e associações passam despercebidas porque parecem naturais, quase como parte da personalidade e as pessoas dizem “ah, eu sou assim mesmo”. É seu caso?
Pense na decisão que você sabe que precisa fazer e complete as frases abaixo:
Eu não posso fazer isso porque se eu fizer vai acontecer ____________
Vai dar problema se ____________
Não é o momento porque _____________
O que dentro de você parece impedir esse movimento? Qual consequência interna, qual punição vai acontecer se você der seguimento nisso?
Você já fez isso antes? O que aconteceu?
Qual regra sua seria quebrada se você fizer isso? (Essa é a crença)
Para aprofundar, escolha uma decisão que você vem adiando. Você já sabe que tem algumas opções sobre isso. Por exemplo, fazer da forma A, forma B, forma C ou simplesmente não fazer e se manter como está. Escreva todas as variáveis possíveis antes de dar seguimento.
Agora, com as possibilidades claras, responda as perguntas abaixo para cada uma delas:
Se eu fizer isso, o que de pior pode acontecer?
Se isso acontecer, o que isso diria sobre mim? O que eu diria sobre quem sou?
E se isso for verdade, o que eu passaria a ganhar ou perder?
Se, após essas respostas você se perceber pensando em coisas como “eu preciso me manter como estou por causa de fulano”, “eu não posso errar”, “eu vou ser julgado”, “vão falar mal de mim”, você pode não ter chegado ainda na lei interna, mas compreendeu o “combustível” dela (crença). Releia toda essa página e refaça as perguntas, aprofundando dessa vez. A sua mente inconsciente pode ainda estar protegendo as respostas e a lei criada, justamente para que você não descumpra-a.
Essa lei ainda faz sentido na sua vida hoje, do jeito que está? Ela te protege de algo real ou mantém você preso em um padrão antigo?
Compreenda que clarear qual lei está sendo preservada não obriga ninguém a mudar ou agir imediatamente. Mas tira a decisão do imaginário, onde ela costuma ficar.
Agora, talvez você precise de reposicionamento interno, quase como um acordo novo consigo mesmo, onde você decide se continua seguindo essa lei ou se permite transformar isso.
Para finalizar, deixo uma Sessão em vídeo que fiz exatamente para esses momentos. Separe 1h30 do seu tempo para fazermos juntos com a qualidade que você merece:

